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terça-feira, junho 14, 2016

Lápis cor da pele.

-Me passa o lápis cor da pele?
-Claro, da pele de quem? 


Adorei esse estojo de cores de giz. Vi a proposta rolando na internet a achei importante discutir. 

Vira e mexe nos pegamos falando termos que provém de uma sociedade escravocrata e estão tão enraizados em nosso vocabulário que não percebemos o racismo que corre nas veias de origem da palavra. 

E então nos deparamos TODOS os dias (artistas, designer, decoradores, estampadores... Ou qualquer um que trabalhe com cor ou tenha filho,Rs) com a tal "cor de pele". 

Trata-se de um bege meio rosado, bem claro. Cor da pele nos desenhos infantis e de nenhuma parcela da população mundial. 

Esta cor definitivamente não representa a pele de ninguém. Pergunte a um pintor hiper-realista e certamente ele te mostrará a infinidade de tons usados para a composição de qualquer pele. 

Por quê nos dias de hoje ainda chamam esta cor de "cor da pele"? 


domingo, março 20, 2016

E as crianças no meio de toda essa briga política?



Tirinha da Mafalda adaptada, a versão original continha a palavra "despotismo", aqui substituída por "ódio"




Inspirada pelo postagem do Blog Mãezíssima, sobre este tema, achei mais que pertinente abordá-lo também! A Grace Barbosa divulgou o depoimento de algumas mães contando sua experiência ao falar sobre política com seus filhos! Vale visitar a página.



"Independente do posicionamento ou partido político, esse é um momento fértil para falar sobre cidadania, liberdade e respeito." - Mãezíssima



Basta um minuto navegando em qualquer rede social para ver as trocas de ofensas e intermináveis discussões políticas. Quando se trata de educação não importa convencer uma criança se o impeachment deve ou não ocorrer, o importante é entender que você tem em mãos o cidadão do futuro, e ele está se espelhando em você . Vamos instruir e preparar nossas crianças para serem adultos íntegros e com discernimento, livres do fanatismo cego e do ódio que nos aliena e nos impede de ouvir um ponto de vista divergente. 


Encarar as divergências e não recuar a cada estranhamento são atitudes enriquecedoras para formar qualquer opinião consciente!     


Esta semana na oficina da Brasilândia me arrisquei em uma atividade nova já que estávamos com poucas crianças. Listei diversas perguntas e criei um debate entre as elas concomitante a uma atividade. O resultado foi incrível! As crianças falaram sobre seus sonhos e com o despojamento de um exercício manual se sentiram livres para se abrir. Quem quiser pode tentar em casa.

A tarefa era simples:
1. apresentei a bandeira do Brasil 
2. imprimi uma versão em papel 


3. eles deveriam cortar, montar, pintar e por último colar em um palito de churrasco. Enquanto isso acontecia, eu fazia as perguntas e a medida que eles respondiam deveriam desenhar na bandeira seus desejos para o país! 
4. sugestões de perguntas:
  • Do que você acha que as pessoas mais precisam? 
  • Se você pudesse tirar um coisa do mundo, o que seria?
  • Como as crianças ajudam/contribuem com a sociedade? o que você pode fazer para ajudar desde já?
  • O que significa guerra para você?
  • Como você acha que vai ser o mundo daqui a cem anos?
  • Se você fosse a pessoa mais poderosa do planeta, o que faria?
  • As pessoas são iguais? Se seu amigo tem um problema, e você esta com outro problema diferente do dele, qual tem que ser resolvido primeiro?
Aproveite o ambiente deste debate para explicar as noções de cidadania, respeito, amizade, direitos e deveres. Relacione os fatos atuais com o cotidiano da criança. E o mais importante: responda as dúvidas e os muitos "porquês" dela com disponibilidade e entrega, os resultados serão duradouros! 

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Ei, na minha frente não!

Sei que por vezes é difícil se controlar em calorosas conversas políticas , mas algumas atitudes devem ser evitadas na frente das crianças: 

Lembre-se: crianças são lúdicas. Assim podem entender algumas metáforas de forma literal! Frases como "Podia cair uma bomba na cabeça dela" não são inofensivas no cenário infantil. Por isso evite frases que instigue comportamento violento.
Não use xingamentos ao se referir a pessoas contrárias a sua posição ideológica. No entendimento infantil essa postura ensina que não se deve respeito e não se deve conviver respeitosamente com aqueles que não concordam com você. 


"Esse país não tem mais jeito..." Sai dessa pai! Eu sou o futuro, e quero que tenha confiança e esperança no mundo que vou construir amanhã!!


Espero ter ajudado, deixe sua opinião nos comentários! 
Vou adorar ver sua bandeira! Me manda por e-mail: contato@robertamaria.com

terça-feira, janeiro 19, 2016

Você tem sede de que?



Com oito anos me mudei do que meus pais chamavam de "apartamentão".
Eles moravam em um apartamento menor (onde nasci) e se mudaram para o grande apartamento em questão. O ponto aqui não é ostentação e nem mobilidade social, prometo fundamentar a introdução.

O 'apartamentão' era todo mobiliado, móveis planejados e armários, muitos armários (minha mãe prezava por pertences escondidos). Nada era fora do lugar e não tinha espaço para a criatividade. Lembro-me de certa vez ter a liberdade de colar adesivos na parte interna do armário. 

Dispunha eu, a caçula, de um quartinho ao lado da lavanderia onde poderia "livremente" espalhar brinquedos. Vez ou outra "Olga versão limpeza" surgia por lá e minha liberdade era posta a prova e tudo deveria tomar lugar. 

Então meus pais se separaram e com oito anos me mudei do que meus pais chamavam "apartementão". rs! Ficamos uma temporada na casa dos meus avós e fomos para um apartamento (nem inho, nem ão) na Casa Verde. Minha mãe passou um perrengue naquela época, ficamos um bom tempo sem piso, sem box e sem armários. E a falta de armários planejados trouxe a Versão Criativa de Olga Maria. 

Ela nos libertou.

O meu quarto se tornou um gabinete de curiosidades e nele tudo era permitido. Posso dizer que a partir dai me vi artista ou arteira (rola uma dúvida)

A cadeira adaptada vinda da antiga mesa de copa ganhou um forro novo feito com uma capa de travesseiro. Primeira de muitas vezes que encapei algo. 

Os cestos da cozinha abdicaram cebolas e batatas e no meu gabinete abrigaram coloridos arranjos.

A cama era camuflada por uma nuvem de pelúcia. Mais de 100 construíam uma composição ordenada  por tamanho e cores. 

Cada canto era autobiográfico. Nem a TV manteve sua identidade de fabrica e ganhou um amarelo chamativo. 

Com o tempo novas habilidades surgiram e passei a reformar móveis. Cheguei a passar um domingo transformado uma cama em uma estante, tudo isso dentro do apartamento "nem indo, nem ão". 

Como já previa meu mapa astral (pena que não tive acesso antes) eu iria bitoladamente persistir em fazer faculdade direito ao invés de perceber o que eu realmente gostava de fazer. 

Abandonei. 

Demorei, mas abandonei. Na verdade, meu corpo me abandonou e tudo parou. Sem forças e sem vontade de nada abandonei a vida. Ela me maltratou dos 16 aos 18 e em troca deixei ela de lado. 
Meses praticamente na cama, levantava apenas para ir fazer os cursos de algumas horas na Escola Panamericana e assistia a série Friends compulsivamente.

Em uma família de biológicas com pós doutorado e montanhas de diplomas imaginem o orgulho quando resolvi que a solução dos meus problemas estava na Faculdade de Belas Artes. 

Me formei.

E 'bitoladamente' persisti no erro. Desta vez embarquei no sonho alheio e por vezes incorporei como meu. Enquanto cursava a faculdade abri uma agencia de viagens, que construí com muito carinho mas poucas realizações pessoais. A tela era sempre a do computador, e as cores vinham apenas das fotos de viagens. Burocracia, tédio e brigas intermináveis com um sócio que tinha razão em um coisa o tempo todo, ali não era meu lugar.  O turismo cultural, expedições pedagógicas, o sonho de fazer um setor de impacto social... foram massacrados por bancos, vistos, impostos, planilhas e corporativo. Demorei quase 5 anos para assumir que eu poderia desistir. Largar o osso , correr e pular.

Pular,
para dentro e para fora.
Para dentro e para fora.  

Eu não poderia simplesmente sair. Querendo ao não, criei sonhos com ela e estes sonhos merecem minha parceria. As oficinas surgem em paralelo, com novos projetos e concretizando aquilo que aos 8 anos minhas mãos construíram  e eu deixei escorrer entre os dedos com o tempo. 


Em muitas águas bebi: direito, designer, artesanato, turismo, gestão empresarial.

Não mataram minha sede.

Já sedenta a D'Abu foi batizada. 





Avental de medicina para combinar com a família
também usei um por 7 anos.